quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

A limine


Escrevo, escrevo, escrevo. Apago. Me reinvento. Rasuras, traços apagados, borrados, papel rasgado em tiras. Deixo a tinta da minha alma escorrer pelas folhas imaculadas. Me transformo.
Estou aprendendo a metamorfosear. A comodidade, a dependência (de pessoas ou o que quer que seja) e o medo do futuro aprisionam. Tornam-te algoz e vítima, aprisionado e torturado por si mesmo. Claustro anímico.
Que eu tenha sabedoria para ser água líquida, fluindo e contornando as grandes rochas. Que eu não volte a ser pedra, rígida e estagnada em uma mesma situação.
Que eu consiga ter compaixão e misericórdia pelos lugares mais escuros do coração humano, ainda que lá talvez não haja nenhuma.
Que eu siga firme nos meus anseios e no que acredito ser certo, mas que eu sempre me dê o benefício da dúvida e mantenha acesa a chama do questionamento, e tenha a coragem de mudar de opinião assim que eu perceber que determinada coisa já não me serve.
Que ainda que eu tenha pouco, eu tenha bondade e consciência para dividir o pouco que tenho com aqueles que não possuem nada.
Que eu nunca permita que o rancor apodreça minha alma, nem que o ódio me torne um receptáculo. Que eu saiba senti-los no momento certo e depois superá-los.
Que eu saiba conviver com ideologias e pensamentos diferentes dos meus, mas que eu tenha amor-próprio para cortar laços assim que alguma relação se torne tóxica.
Que 2017 seja um ano de reparação de danos.

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