quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Um poema meu e pensamentos sobre o cotidiano

Escrevo um pouco. Em sua grande maioria são poemas, mas rabisco alguns textos também. Cada um lida de uma forma com seus demônios, e acho que essa foi a forma que encontrei de exorcizar os meus.
Nós, seres humanos, somos todos meio loucos. Escondemos nossas fraquezas sob uma máscara de orgulho para que ninguém nos julgue como fracos. Buscamos nos preencher em relacionamentos cada vez mais vazios a fim de mascarar nossa própria incompletude, nossa própria solidão. Nos apegamos a coisas materiais e quando as perdemos, nós surtamos e nos desesperamos. Jogamos nossa saúde fora por coisas cada vez menores e fúteis, e depois nos entupimos com drogas cada vez mais fortes (algumas legalizadas, algumas não), tentando reparar os danos. Antidepressivos, antipsicóticos, ansiolíticos e tudo por uma causa: não sermos capazes de sermos gentis conosco.
Depois dessa pequena reflexão, deixo aqui um poema de minha autoria, escrito em 2014, quando eu tinha 17 anos.

Ária à um tirano

Oh, meu doce coração solitário
Tu, que pulsas profanando minh'alma
Condena-me com tua silente calma
Oh, dor congênita de meu calvário

És minha virtude e minha maldição
Rei dos reis, sórdido e triste
Quimera maldita que me aflige
Oh, meu déspota sem compaixão

Pulsa, pulsa, anatemático
Meditabundo, alheio à minha dor
Leva sangue ao meu espectro sorumbático
Nostalgia embalada por notas de torpor

Amo-te insanamente, meu poeta doentio
Sou musa sepulcral de teus sonhos mortos
Reina no teu trono lacrimoso de suplício
E faz-me tua amada, meu menestrel de versos tortos!






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